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Mulheres empreendedoras já são mais de 30 milhões no país

SUCESSO – Engenheira formada, mas sem emprego na área, Maria Marta Oliveira decidiu em 1984 abrir um negócio de comida congelada que evoluiu para uma franquia

Empreender costuma ser uma missão desafiadora para quem sonha em ser patrão, mas, quando se é mulher, as dificuldades são ainda maiores. Às barreiras comuns a todos – como a alta carga tributária, a burocracia, a inexperiência com gestão e a concorrência acirrada –, soma-se um pacote de novos desafios, como a jornada dupla, a maternidade e a cultura machista. Por isso, neste 19 de novembro, Dia Internacional do Empreendedorismo Feminino, mulheres no comando de variadas iniciativas empreendedoras afirmam que há muito o que comemorar, mas também tem bastante para avançar. Segundo estimativas da Global Entrepreneurship Monitor (GEM), uma pesquisa realizada pelo Sebrae em parceria com o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ), as mulheres empreendedoras já somam atualmente mais de 30 milhões no país.

O estudo mapeou o perfil da mulher empreendera. Ele aponta, por exemplo, que quase 60% das empreendedoras iniciais, com máximo 3,5 anos no mercado, atuam em seis atividades principais: serviços de catering, bufê e outros serviços de comida preparada (17,9%), cabeleireiras (10,6%), comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (10,5%), confecção de peças de vestuário, exceto roupas íntimas (7,3%), restaurantes (5,8%) e varejo de cosméticos, perfumaria e higiene pessoal (4,7%), sendo que confecção de roupas e varejo de cosméticos e similares só foi citado por mulheres. Segundo o relatório, os homens que empreendem citam 14 principais atividades exercidas no mercado.

“O empreendedorismo feminino tem suas próprias características. Elas têm que enfrentar o preconceito estrutural e múltiplas jornadas. Elas ainda são reconhecidas como as responsáveis pela criação dos filhos, tarefas domésticas, cuidados com os idosos e doentes da família. Se ela estiver competindo com um empresário, terá muito menos tempo e energia para investir no seu negócio”, ressalta Rachel Dornelas, analista do Sebrae Minas. 

Para ela, além da sobrecarga, as mulheres são submetidas a estereótipos sociais. “O homem é educado a se arriscar em uma carreira empreendedora, mas, quando a mulher ousa a fazer o mesmo, muitas vezes escuta que negociação, finanças e matemática não são ‘coisa para mulher’. Ou seja, além dos desafios que ela precisa lidar, ela é alvo desse tipo de sabotagem emocional. Isso pode ser quase que definitivo e pode levar, inclusive, à desistência”, diz.

Em BH, dos 241.052 MEIs registrados na Receita Federal, 46,6% são mulheres, com destaque para cabeleireiras (16.453) e alimentação preparada para consumo domiciliar (6.016)

Resiliência

Em 1984, a empresária Maria Marta Oliveira tinha em suas mãos um feito: um diploma de engenheira civil. No entanto, nunca conseguiu emprego na área. Sem oportunidade no ramo de formação, juntou-se à irmã para empreender nas habilidades culinárias. Assim nasceu a primeira loja da Segredos Caseiros, de comidas congeladas, no bairro Gutierrez. “No geral, mulheres à frente de negócios não era comum. Mas fizemos uma lista do que sabíamos cozinhar, majoritariamente, comidas triviais, do dia a dia e seguimos até hoje, com as comidas mais simples como nosso carro-chefe”, lembra.

Hoje, a marca da empresária, em parceria com a irmã, é uma franquia com sete lojas em Belo Horizonte. A rede emprega 70 pessoas, entre unidades de vendas e fábrica. Experiente, a empresária expandiu os negócios durante a pandemia mundial e não demitiu ninguém. Pelo contrário, contratou oito pessoas. “Minha equipe teve um aumento de 20%. De repente, tudo fechou e nós tínhamos produtos suficientes para atender a demanda que estava acostumada a outro tipo de alimentação rápida, como um restaurante. Nisso, consumidores foram atrás de outras formas de comida, como congelados, e gostaram”, afirma Marta.

Resiliência também é a palavra que define a empreendedora do setor de beleza Daniele do Carmo. No final de 2019, ela vendeu o carro para investir todo o dinheiro no NegraD, espaço focado em cabelos crespos e cacheados. Marcou a data da inauguração: 18 de março de 2020. 

Naquele dia, decretos de emergência contra a disseminação do novo coronavírus foram expedidos por todo país, inclusive na capital mineira. Uma das medidas era o fechamento de comércios não essenciais para diminuir o número de circulação de pessoas nas ruas.

Apesar do baque inicial, a empresária reagiu rápido. “Montei um kit de tratamento específico para cabelos crespos e cacheados, mandei no WhatsApp de todas as minhas clientes Quem comprasse, ganharia também uma consultoria online”, conta. Com a inovação, ela manteve o negócio de pé e tem planos para abrir uma nova unidade.

Fonte: Hojeemdia.com