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Alta no preço de insumos ainda preocupa indústria da construção

A elevação dos custos das matérias-primas dentro da cadeia da construção civil tem sido um motivo de apreensão para as empresas do setor desde o início da pandemia de coronavírus, quando houve o desequilíbrio entre oferta e demanda de produtos. Apesar dos problemas com a Covid-19 terem diminuído com o passar do tempo, o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), José Carlos Martins, admite que não há uma projeção de quando a dificuldade quanto aos preços dos insumos será algo do passado.

“Isso acabou desarranjando tudo. Por exemplo, a pessoa compra um apartamento e tem que pagar prestação. Tem parcelas que têm reajustes e outras que não têm, os empreendimentos que não possuem reajustes eu não sei se a empresa (de construção) vai dar conta de entregar e os que têm a pessoa (compradora do imóvel) está se vendo louca para pagar”, argumenta o dirigente. Martins enfatiza que a pressão pode ser percebida em diversos itens, principalmente, quanto à madeira, chapa compensada, aço, cimento, bloco cerâmico, PVC e cobre. Ele calcula que os materiais, de julho de 2020 ao final de 2021, tiveram um encarecimento na ordem de 50% e agora essa alta deve estar acumulada entre 60% a 70%.

Uma das ações que pode mitigar esse cenário, sugere o presidente da CBIC, é fazer um “choque de oferta”, recorrendo a importações. Outra alternativa levantada para baixar os custos das empresas de construção é a realização de compras coletivas, através da associação de companhias ou da criação de uma cooperativa, para ganhar escala e mais condições de negociação.

Do lado dos compradores, os efeitos vêm sido sentidos de formas diferentes. Quanto ao segmento de renda mais baixa, Martins lembra que, por volta de agosto do ano passado, começou a reduzir o financiamento do Programa Casa Verde e Amarela (antigo Minha Casa, Minha Vida) e no início de 2022 a situação piorou. Ele comenta que o mercado percebeu de 50% a 60% de diminuição na contratação dentro da iniciativa no primeiro quadrimestre deste ano, em relação ao mesmo período de 2021. No entanto, o presidente da CBIC diz que em maio houve uma recuperação de cerca de 30%, com medidas que melhoraram subsídios da política habitacional. Já na classe média, os maiores impactos foram percebidos devido à elevação dos juros e a alta renda não foi tão afetada.

Mesmo com esses obstáculos, o setor da construção vem crescendo. Contudo, Martins explica que isso se deve a comercializações realizadas no passado de imóveis que estavam para ser edificados e cujas entregas estão sendo feitas atualmente. “Quando é feita a venda, não importa guerra na Ucrânia, que tenha pandemia, que chova meteoros, a empresa tem que entregar e cumprir o contrato. Hoje, vivemos a inércia da venda anterior, mas a contratação vem caindo”, alerta. O dirigente antecipa que, para esse ano, o PIB da construção civil no Brasil deve crescer cerca de 2,5%, porém não é possível assegurar que para 2023 também haverá incremento.

O representante da CBIC foi o palestrante da reunião-almoço promovida pelo Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado do Rio Grande do Sul (Sinduscon-RS) nesta segunda-feira (27), em sua sede, em Porto Alegre. O presidente da entidade, Claudio Teitelbaum, confirma que também no mercado gaúcho os insumos vêm aumentando muito desde o surgimento da pandemia, em patamares superiores à correção do Índice Nacional de Custo da Construção (INCC). “E o que é pior, o INCC tem tido reflexo de aumento em um percentual maior do que o incremento de renda líquida do consumidor, porque o salário dele eventualmente até cresce, mas ele tem mais gastos com a inflação de supermercado, água, luz, entre outros”, comenta Teitelbaum.

Entretanto, o dirigente se mostra otimista com a realização da Construsul – 23ª Feira Internacional da Construção, que ocorrerá entre os dias 2 e 5 de agosto, no Centro de Eventos da Fiergs, na capital gaúcha. O Sinduscon-RS é um dos apoiadores do encontro. Teitelbaum acrescenta que outro fator positivo é que no ano passado as vendas da construção civil, em Porto Alegre e dentro do setor privado, foram de R$ 3,9 bilhões e até junho de 2022 o montante alcançado era de R$ 2,5 bilhões.

Fonte: Jornal do Comércio